Noticias

Rúben Amorim 

Rúben Amorim 

Há um ano, “Onde vai um vão todos” virou logro. Como resistiu o Sporting?

O dia 11 de novembro de 2024 marcou o início de uma nova era no Sporting, com a saída de Rúben Amorim para o Manchester United. João Pereira foi apresentado como o seu sucessor e, meia dúzia de semanas depois, chegou Rui Borges, navegando num ‘mar’ de mudanças em Alvalade.

Para uns, parece que foi ontem. Para outros, dá a sensação de que já passou mais tempo. A verdade é só uma: Ruben Amorim deixou o Sporting para rumar ao Manchester United há, precisamente, um ano, abrindo espaço a um

No que à equipa técnica diz respeito, João Pereira foi apresentado como seu sucessor no passado dia 11 de novembro de 2024, porém, a aventura do até então técnico dos ‘bês’ durou meia dúzia de semanas na equipa principal, até que Frederico Varandas decidiu ‘pescar’ Rui Borges, em Guimarães, contratando-o ao Vitória SC, logo após o Natal.

Rúben Amorim

O plantel não sofreu propriamente uma revolução, mas registaram-se movimentações impactantes, com destaque para a mediática e atribulada transferência de Viktor Gyokeres para o Arsenal, para além da de Conrad Harder. Em sentido inverso, saltaram à vista as entradas de Rui Silva, Fotis Ioannidis e Luis Suárez.

 

Já na estrutura diretiva, importa relembrar que a comunicação antecipada da saída de Hugo Viana para o Manchester City deu origem a ajustes na estrutura organizacional no futebol profissional, deixando de existir a figura de diretor desportivo, com Bernardo Palmeiro a ocupar o cargo de diretor-geral do futebol.

 

‘Dança das cadeiras’ passageira

 

Em Alvalade desde março de 2020, Ruben Amorim esteve pouco mais de quatro meses e meio a comandar os destinos do Sporting e destacou-se ao quebrar um longo ‘jejum’ de campeonatos em 2020/21, tendo vencido outro em 2023/24, para além das conquistas de duas Taças da Liga (2020/21 e 2021/22) e uma Supertaça Cândido de Oliveira (2021/22).

 

Ao cabo de 11 jornadas 100% vitoriosas na passada edição da I Liga e de uma notável campanha na Liga dos Campeões, Ruben Amorim decidiu largar a estabilidade que conseguiu criar no Sporting para ‘mergulhar’ na crise instalada no Manchester United, levando Frederico Varandas a apostar numa lógica de continuidade e, consequentemente, no nome de João Pereira, até então treinador dos bês dos leões.

 

Oito jogos disputados no espaço de um mês acabaram por se traduzir na pobre amostra de três vitórias, um empate e quatro derrotas para o técnico de 41 anos. O clube de Alvalade ‘perdeu gás’, não só na ‘disparada’ liderança no campeonato, como na Liga dos Campeões, motivando sinais de alarme… e uma nova troca técnica.

Contratado ao Vitória SC no dia 26 de dezembro de 2024, Rui Borges chegou a um Sporting ‘ferido’ e rapidamente o ‘arrebitou’ ao estrear-se com uma vitória diante do eterno rival Benfica (1-0). A reta inicial do percurso ao serviço dos verde e brancos foi algo oscilante, até pelo facto de ter perdido a Taça da Liga para as águias (1-1, 6-7 após grandes penalidades), altura em que o treinador de 44 anos não hesitou em garantir que estaria “algo melhor reservado para o futuro”. Assim foi.

 

Das expressões “onde vai um vão todos” e “lado a lado” da era Ruben Amorim, o Sporting saltou para a célebre frase “quando faltar a inspiração, que não falte a atitude” no ‘reinado’ de Rui Borges e lá acabou a temporada com a ‘dobradinha’ – conquista do campeonato na última jornada e vitória na final da Taça de Portugal (3-1) – saindo a sorrir na ‘renhida’ luta com o Benfica, contra quem viria a perder a Supertaça (0-1), no arranque da presente época.

 

‘Gyodependência’ prontamente negada

 

Não foi só pelos troféus que Ruben Amorim se notabilizou ao serviço dos leões. A crescente aposta em ‘miúdos’ da formação e a valorização de grandes ativos do clube fizeram com que Ruben Amorim fosse um dos grandes responsáveis pelas explosões de jogadores como Nuno Mendes, Pedro Porro, Matheus Nunes, Manuel Ugarte, Pedro Gonçalves, Francisco Trincão, Geovany Quenda, Paulinho, Conrad Harder ou Viktor Gyokeres.

 

A política de contratações das últimas duas janelas de mercado não ‘destoou’ propriamente do que está para trás, de tal forma que nem se pode falar propriamente de revolução interna. Ao Sporting, foram chegando jogadores como Rui Silva, Biel Teixeira, Giorgi Kochorashvili, Alisson Santos, João Virgínia, Ricardo Mangas, Georgios Vagiannidis, Fotis Ioannidis ou Luis Suárez. Em sentido inverso, saíram futebolistas como Marcus Edwards, Franco Israel, Vladan Kovacevic, Ricardo Esgaio, Dário Essugo, Conrad Harder e Viktor Gyokeres.

 

A transferência mais mediática de todas foi, sem sombra de dúvida, a de Viktor Gyokeres. O avançado sueco abriu uma ‘guerra’ com o clube, recusou-se a apresentar no arranque dos trabalhos de pré-época e, num autêntico ‘braço de ferro’ durante semanas e mais semanas, Frederico Varandas acabou por permitir a sua saída para o Arsenal, entre os 65 e os 76 milhões de euros, com contornos históricos.

Se é verdade que a capacidade goleadora do Sporting necessitou (e muito) da eficácia do avançado nórdico, também é um facto que o conjunto de Rui Borges continua a mostrar-se em bom plano no capítulo ofensivo desde que a época 2025/26 se encontra em andamento, anulando a ideia de uma ‘Gyodependência’.

 

Por esta altura, o Sporting corre atrás do tricampeonato (e de mais troféus), com um registo de 13 vitórias, dois empates e três derrotas na presente temporada, seguindo na vice-liderança da I Liga, a apenas três pontos do líder FC Porto, com o melhor ataque da prova (27 golos). Houve mudanças, é certo, mas a mentalidade vencedora – muito ‘cultivada’ por Ruben Amorim – não só não saiu de Alvalade, como ainda tem sido ‘limada’ por Rui Borges.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo