André Villas-Boas, presidente do FC Porto, prometeu um reforço cabal do plantel na hora de apresentar o treinador Francesco Farioli e os resultados dificilmente seriam melhor: seis dos reforços moram no onze habitual e um primeiro lugar no campeonato.
Ao cabo das primeiras 11 jornadas no campeonato, a temporada do FC Porto segue de vento em popa. Os dragões vão liderando a tabela classificativa, com 31 pontos em 33 possíveis, e apenas não conseguiram vencer o Benfica, ficando-se pelo empate sem golos. Lá fora, na Liga Europa, o saldo não é tão positivo mas está longe de ser um desastre: duas vitórias e dois empates em quatro jogos. Para este bom momento de forma muito contribuíram os reforços contratados no último mercado, no verão.
O investimento foi avultado, mas o principal objetivo está mais do que alcançado: tornar o plantel mais forte, depois de uma temporada ruinosa com Vítor Bruno e Martín Anselmi no comando técnico.
Francesco Farioli foi a escolha feita por André Villas-Boas, que, logo na hora de apresentar o novo treinador aos sócios e adeptos, afirmou que o clube poderia estar prestes a concretizar o “maior mercado da história do FC Porto”. Dito e feito.
O clube azul e branco foi ao mercado, e, aos poucos, promoveu uma revolução e enriqueceu o plantel com reforços sonantes que não precisaram de muito tempo para se impor. De resto, o atual onze base do FC Porto conta com seis dos 12 jogadores que chegaram este verão ao Dragão.
No total, André Villas-Boas teve de investir quase 100 milhões de euros – que englobam o montante pago para ficar, em definitivo, com Nehuén Pérez – para dar as ‘armas’ mais desejadas a Francesco Farioli.
Raio-x aos reforços
Depois dos primeiros 16 jogos do FC Porto em 2025/26, vale a pena olhar para cada um dos reforços de verão e analisar todos eles. Comecemos pela baliza rumo à frente de ataque.
João Costa (custo zero)
Depois de ter estado meia época ao serviço do Estrela da Amadora, que foi buscá-lo ao Feirense, João Costa viu premiada a boa temporada com um regresso ao FC Porto, clube no qual se formou e destacou. Ora, João Costa sabia que titular não seria, por conta do capitão Diogo Costa, e ainda se encontra abaixo de Cláudio Ramos na hierarquia da baliza.
Ainda assim, João Costa vai estando em algumas convocatórias e vai tirando o pó às luvas com pequenas incursões à equipa B – que agradece o seu contributo, dado o momento conturbado na II Liga.
Alberto Costa (15 milhões de euros fixos + 1 em objetivos)
Foi desejo do Sporting, tanto em janeiro como no verão, mas foi parar ao FC Porto, numa troca com João Mário, que rumou à Juventus, ainda que os negócios tenham sido realizados em separado.
O lateral direito de 22 anos chegou à Invicta e pegou de estaca: cinco assistências em 13 jogos disputados de dragão ao peito. O estatuto de titular indiscutível tornou-se inevitável, e a única dúvida está mesmo no tempo que Roberto Martínez demorará a dar-lhe uma oportunidade na seleção nacional.
Pedro Lima (emprestado sem custos)
O jovem lateral esquerdo chegou do Wolverhampton para reforçar a equipa B, mas tem tido oportunidades para se mostrar a Farioli nos treinos da equipa principal. Esteve, por exemplo, no banco frente ao Nottingham Forest, para a Liga Europa, e tudo leva a crer que, em breve, poderá merecer minutos.
Dominik Prpic (4,5 milhões de euros + 1 em objetivos)
O defesa croata tem tido uma utilização intermitente por conta do esteio polaco – lá chegaremos -, ainda que a lesão grave de Nehuén Pérez lhe tenha dado o estatuto de terceiro central da hierarquia. Soma 317 minutos pelo FC Porto, distribuídos em oito jogos e já conquistou os adeptos pela sua garra em campo.
Jakub Kiwior (2 milhões de euros por empréstimo com opção de compra de 17 + 5 em objetivos)
Kiwior foi um longo namoro de verão que o FC Porto conseguiu trazer do Arsenal para Portugal. Com recursos técnicos assinaláveis para um defesa central, o internacional polaco permite à equipa de Farioli ter outro critério na construção a partir de trás.
Sem surpresa, é um dos intocáveis de Farioli, e alinhou em 10 jogos até ao momento, sendo que foi mesmo dos últimos reforços a aterrar na cidade do Porto.
Jan Bednarek (7,5 milhões de euros)
O outro central polaco do atual plantel do FC Porto também veio de Inglaterra, mas chegou mais cedo, e depressa começou a ser o patrão da linha defensiva. Pelo meio, já marcou um golo em 16 jogos, e, recentemente, foi eleito o melhor defesa do campeonato nos meses de setembro e outubro.
Pablo Rosario (3,75 milhões de euros + 500 mil em objetivos)
O médio da República Dominicana foi pedido expresso de Farioli, que já o havia orientado, no Nice e no Ajax, e reúne a confiança total do treinador italiano. Combativo e com poderio físico, Pablo Rosario tem a vantagem de ser polivalente e até já jogou como central.
O jogador de 28 anos contabiliza um golo em 11 jogos pelo FC Porto.
Gabri Veiga (15 milhões de euros + 4 em objetivos)
O médio espanhol de 23 anos abdicou dos milhões da Arábia Saudita para voltar à elite do futebol europeu e reforçar o FC Porto, ainda a tempo de participar no Mundial de Clubes.
Veiga dispensa grandes apresentações e confere qualidade ao meio-campo do FC Porto, pese embora Farioli já tenha admitido que ainda não está em ponto de rebuçado. Soma cinco assistências e um golo nesta temporada.
Victor Froholdt (20 milhões de euros + 2 em objetivos)
O caso mais especial deste mercado. De desconhecido a um dos preferidos dos adeptos do FC Porto, Froholdt impressiona pela capacidade de estar em todo o lado e não apresentar sinais de fadiga. O internacional dinamarquês dá robustez ao meio-campo portista e é outro dos imprescindíveis de Farioli.
O médio de 19 anos contabiliza dois golos e três assistências em 16 jogos, números que até são curtos face à importância que desempenha na dinâmica da equipa.
Borja Sainz (13,3 milhões + 2 milhões)
O avançado espanhol cedo foi apontado ao FC Porto e acabou mesmo por chegar ao Dragão para se fixar no habitual trio ofensivo. Apesar de parecer, em diversas ocasiões alheado do jogo, Borja Sainz tem uma relação próxima do golo e já se revelou decisivo em diversas ocasiões – chega a lembrar o caso de Kerem Akturkoglu nos tempos do Benfica.
Com quatro golos e duas assistências em 16 jogos, Sainz também vai sendo uma aposta certeira de Villas-Boas.
Luuk de Jong (custo zero)
O reforço mais inesperado do FC Porto chegou a custo zero e surpreendeu tudo e todos no jogo de apresentação aos sócios e adeptos. O gigante neerlandês também foi pedido expresso de Farioli, que olhou para De Jong como arma de recurso na hora de render Samu na frente de ataque.
O ex-Barcelona, de 35 anos, marcou um dos golos que ajudou o FC Porto a vencer o Sporting em Alvalade, mas o azar bateu-lhe à porta num jogo-treino e desde setembro tem estado indisponível. No entanto, o pior já terá passado, e o regresso do neerlandês está à vista.
Yann Karamoh (custo zero)
O avançado francês foi o reforço ‘fora de horas’ que Villas-Boas e Farioli decidiram arranjar. Tal como Pablo Rosario, também Karamoh já se havia cruzado com o treinador italiano, nos turcos do Karagumruk, mas, neste FC Porto, terá sempre dificuldades em se impor, perante nomes como William Gomes, Pepê e Borja Sainz.
Ainda assim, Karamoh dá maior profundidade ao plantel e também vai servindo para ajudar a equipa B.
Novo assalto em janeiro?
O mercado de inverno já se encontra no horizonte e o FC Porto pode optar por fazer alguns ajustes ao plantel, até porque já se percebeu que a questão física começa a ser um problema para os jogadores com mais minutos nas pernas.
Para além disso, André Villas-Boas não vai olhar a poupanças sob pena de ver o FC Porto falhar a conquista do campeonato por falta… de pernas.





